Leitor 66: O leitor puro

Escrito por Índigo às 09h08

Ele detesta quando interferem na sua leitura. Resenhas de jornal, críticas, adaptações para cinema... ele evita. Nem o texto de orelha ele lê antes de começar o livro. Sabe que orelhas têm o poder de matar boas surpresas do livro. Prefácio? Pula. O problema é quando se encontra em situações sem saída. Numa mesa de bar, por exemplo. Conversa vai, conversa vem, e começam a falar do livro que ele ainda está lendo. Ou se levanta e vai para o banheiro ou enfia os dedos nos ouvidos e começa a cantar sozinho. Ninguém respeita seu desejo de preservar sua ingenuidade. É um mundo cruel.

Escrito por Índigo às 09h08

Leitor 65: O leitor saltitante

Escrito por Índigo às 08h53

Não é por descaso ou falta de interesse, é apenas a natureza desse leitor. Ele pula trechos e páginas. Se começa a ficar chato ou difícil........ poing, pulou. Continua a leitura a partir do ponto onde aterrissou. Se lá para frente a história começa a ficar desencontrada ele pula para trás e recupera as informações necessárias. É como um sapinho alegre que transita faceiro pelo livro. Melhor assim que certas criaturas que preferem se arrastar por todas as linhas, todos os trechos enfadonhos, por cada nota de rodapé, para depois chegar exaurido à última página, botando os bofes para fora.

Escrito por Índigo às 08h53

Leitor 64: O leitor caseiro

Escrito por Índigo às 08h44

Para ele o livro é uma casa aonde irá se instalar com a ajuda do autor. Assim um bom autor é aquele que define com precisão o ambiente, os limites geográficos da história e a população fixa e itinerante. Ele também deve passar a sensação de domínio absoluto quanto ao ritmo da história. Nada de solavancos, marasmo ou redemoinhos. Isso é fundamental para que o Leitor Caseiro se sinta confiante. Claro que isso não acontece assim, pa-pum. No começo tem um período de adaptação. Mas com o andar da história o leitor começa a se sentir em casa. Aliás, esse tipo de leitor vive à procura de um lar definitivo. Tudo que ele mais quer é um mundinho onde se sinta confortável. Quando encontram, costumam ser fiéis. Terminado o livro vão atrás de outros títulos do mesmo construtor.

Escrito por Índigo às 08h44

Leitor 63: O leitor da Turma da Mônica

Escrito por Índigo às 09h47

Muitas vezes eu me pergunto o que tem ali nos gibis da Mônica que faz com que consigam resistir à passagem do tempo, da moda, de geração após geração. Pra mim a resposta tem a ver com as ruas planas, as casinhas térreas, de muro baixo, as colinas suaves e o céu sempre azul piscina. É um mundinho harmônico e feliz. Repare como nesse mundo a cobertura vegetal é extensa, com o detalhe que a grama está sempre bem cuidada. As construções são amplas e com um bom espaço livre entre uma e outra. Outro fator importante é ali que não tem morro. No máximo uma leve subidinha, para dar mais emoção ao passeio de skate, mas nunca um morro, uma região serrana. Isso jamais.

Escrito por Índigo às 09h47

Leitor 62: O leitor do futuro

Escrito por Índigo às 09h56

Este vem com um mecanismo interno que de tempos em tempos limpa a memória de leitura, apagando livros antigos para que novos possam entrar. A tendência é que cada vez mais veremos leitores operando dessa maneira. A vantagem, para o mercado editorial, é que leitores assim podem consumir grandes quantidades de livros, dos mais variados gêneros, estando sempre ávidos por novidades. Com a função Esvaziamento Imediato de Memória eles podem inclusive comprar o mesmo livro duas vezes sem se dar conta. Para o leitor fica uma agradável sensação de mente limpa, sem aquela confusão de títulos, personagens e cenas soltas, frases e nomes de autores, tudo embolado, um caos de informações fictícias sem pé nem cabeça.

Escrito por Índigo às 09h56